Os mini-chefs fazem da comida uma brincadeira

23/06
07:00hs

Não existe um filho que tenha passado ileso à ordem de “não brinque com a comida!”

Flávia Pegorin

Mas tornar as refeições mais divertidas pode ser um ótimo método de ensinar às crianças sobre a importância dos alimentos. Trazê-los para perto de panelas, peneiras e dos produtos em si, aliás, é um excelente começo – e, assim, os filhos tomam amor pela comida, enquanto os pais ganham valiosos ajudantes de mestre-cuca.

Transformar a culinária em diversão não é difícil. Só requer paciência e um certo desapego para com a limpeza da cozinha. É certo que, no começo, os pequenos gostam mais de espremer, remexer e bagunçar do que de cozinhar em si. Mas isso passa. E logo a molecada está testando novos sabores, escolhendo seus preferidos e até sugerindo novas receitas.

“Criança que toma contato com alimentos e com a cozinha da casa se torna não só um adulto mais saudável nos hábitos alimentares, mas também uma pessoa mais independente”, diz a professora de culinária Carolina Hens. Para ela, manusear os produtos e os acessórios de cozinha dão um certo “poder” às crianças – o que as faz muito mais orgulhosas de si e em relação ao que comem.

A jornalista Teresa Vieira, mãe de Aimmé, 11 anos, assina embaixo. Quando a menina passou a pedir para ajudar na cozinha, alguns anos atrás, ela titubeou por achar perigoso. Mas venceu o medo e se surpreendeu. “Ela fica cheia de si quando conta para as amigas que come brócolis, peixe e sabe fazer torta de abobrinha. Fica toda feliz de ser assim, ‘eclética’ com o que come. E sua alimentação melhorou demais”, diz Teresa.

E não são apenas as mães comuns que vêem vantagens em trazer os pequenos para o convívio com pia e fogão. A chef Carla Pernambuco já alcançou amplo reconhecimento pela criatividade gastronômica de seu restaurante Carlota, em São Paulo. Dos três filhos, foi a caçula, Júlia, quem se encantou pela profissão da mãe. Juntas, as duas acabaram produzindo, há três anos, um livro de receitas para crianças, o apetitoso “Juju na Cozinha do Carlota”.

O livro traz 29 receitas divididas em níveis de dificuldade, além de orientar pais e filhos sobre como usar bem os ingredientes, dar dicas para o preparo dos pratos e avisos sobre objetos perigosos e o uso do forno. “Juju na Cozinha do Carlota” também fala de curiosidades sobre as receitas, como seu país de origem.

Foi o livro de Carla e Júlia que encorajou os donos de confeitaria Rodrigo e Simone Arcanjo, pais de Ian, 10 anos, a lançar o garoto na culinária. “Colocar o Ian em contato com os alimentos, pedindo ajuda dele na cozinha, foi a forma que encontramos para fazê-lo comer melhor. Ele era bem enjoadinho e só aceitava tranqueiras, doces e salgadinhos (porque ele sempre teve contato com isso na nossa confeitaria). Quando começamos a pedir para ele abrir a massa de torta com o rolo ou misturar a salada de frutas, escolher os ingredientes etc, ele se transformou no maior ‘natureba’ da culinária”, diverte-se Simone.

A psicóloga Fernanda Ávila é outra que faz campanha pelas crianças na cozinha. Mãe de Daniel, 8 anos, e Camila, 4 anos, ela conta que, por trabalhar meio período em seu consultório, tem tempo para fazer e servir o almoço juntos com a garotada. “É superdivertido. Minha caçula, ainda pequeninha, também é incluída. Quando decidimos fazer biscoito, por exemplo, ela é chamada para assumir ‘o setor de confeitos’, decorando cada um”, diz. Além de promover a integração entre pais e filhos, essa idéia rende mesmo momentos saborosos.

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